sexta-feira, 29 de março de 2013

Peixe-robô nada na correnteza pela despoluição das águas



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Peixe Robô
Fonte: Michigan State University / Divulgação
Ele não tem muito cara de peixe. Parece mais uma mistura de avião com submarino. Mas, se o design não é seu forte, Grace, o peixe-robô criado por engenheiros da Michigan State University, nos EUA, é bastante eficiente naquilo a que se propõe. O aparelho possui sensores que medem a temperatura, a qualidade e o nível de poluição das águas. O objetivo de Grace, abreviação para “Gliding Robot ACE”, é detectar e analisar substâncias tóxicas em lagos e rios.
Desenvolvido pela equipe liderada por Xiaobo Tan, o peixe-robô é controlado de forma remota, como um avião de aeromodelismo. Com suas nadadeiras que lembram asas, Grace se move graças a uma espécie de bomba que empurra a água para dentro e para fora de seu corpo, de acordo com o comando de quem o controla. Além de esperto, o aparelho é econômico. A bateria dele fica localizada em um trilho que se move para trás e para frente em sincronia com a bomba. O consumo de energia é inteligente. Se ele precisa mexer a cauda, gasta mais. Mas, se Grace apenas deslizar, e ele é capaz de fazer isso sem perder a direção, reduz bastante o uso da bateria.
Fotos: G.L. Kohuth / Michigan State University - O professor Xiaobo Tan, à esquerda, e seus assistentes.
No ano passado, o peixe-robô passou por um grande teste. E tirou nota dez, segundo seus criadores. Grace enfrentou as águas do rio Kalamazoo, no Michigan, local onde ocorreu um derramamento de óleo em 2009. O robozinho nadou ao longo do rio e enviou informações precisas sobre a qualidade da água local, para orgulho de Xiaobo Tan e sua equipe. Cerca de dez vezes menor do que aparelhos usados para esse tipo de trabalho, o protótipo reafirma a tendência atual de usar robôs submarinos para monitorar áreas de difícil acesso. É verdade que o esquisitão Grace não chama a atenção pela beleza, mas sua eficiência na coleta de dados importantes para o meio ambiente pode torná-lo cada vez mais popular.
Artigo escrito por Gabriel Pondé

A solução que vem do lixo: usinas transformam metano em energia elétrica


Foto: Denise Pinesso- Flickr - vista aérea do aterro Bandeirantes
Transformar lixo em energia limpa? O que parecia inviável há alguns anos hoje é uma realidade em muitos aterros sanitários. E São Paulo, conhecida por ser uma das cidades mais poluidoras do mundo, é uma referência no assunto. Atualmente, os dois maiores aterros da capital paulista, Bandeirantes e São João, contam com usinas que transformam em energia elétrica o gás metano produzido pela biomassa. Isso garante uma redução de mais de 20% nas emissões de gases do efeito estufa na cidade, além da produção de energia para alimentar até 800 mil pessoas.
A ideia veio de longe, quando, no final da década de 90, uma empresa holandesa resolveu investir em resíduos no Brasil. Mas o resultado é uma conquista nossa. Entre 2004 e 2008, a Prefeitura de São Paulo cedeu os aterros para que as empresas responsáveis por eles criassem, em parceria com a holandesa, a Biogás Usinas Termelétricas. Essas usinas contam com tubulações perfuradas que têm a capacidade de captar o metano liberado e queimá-lo, gerando energia elétrica. O metano é produzido pelas bactérias anaeróbicas, que consomem o lixo nas camadas subterrâneas, onde não há oxigênio. Altamente poluidor, esse gás contribui 21 vezes mais para o efeito estufa do que o CO2. Até então, ele era o segundo principal responsável pela emissão de gases poluentes na cidade.
E os benefícios não param por aí. A criação das usinas fez com que os aterros pudessem vender créditos de carbono. O Protocolo de Kyoto estabelece uma cota máxima de gases poluentes que os países podem emitir. Quando esse valor é ultrapassado, devem ser comprados créditos das nações que estão com as emissões mais baixas. Os créditos do aterro Bandeirantes, por exemplo, já foram leiloados por R$ 140 milhões. Esse valor foi dividido meio a meio entre as empresas responsáveis e a prefeitura, que destina o dinheiro a um fundo da Secretaria do Meio Ambiente para financiar projetos ambientais.
Se a sua cidade possui mais de 500 mil habitantes e conta com o sistema de descarte de lixo em aterros sanitários, pense no assunto! Usinas de metano são uma opção viável, lucrativa e benéfica ao meio ambiente.
Artigo escrito por Jaqueline Sordi